Leitura Partilhada

partilha dos melhores livros que vou lendo

Month: Fevereiro 2017

Os olhos da Razão protegem-nos das precipitações da Paixão

by desconhecido

Todos os livros, todos os volumes que vês à tua frente, têm alma. A alma de quem os escreveu, a alma daqueles que os leram e viveram e sonharam com eles.

by David Martín, O Jogo do Anjo

O Jogo do Anjo | Carlos Ruiz Zafón

O Jogo do Anjo é o segundo livro da série Cemitério dos Livros Esquecidos, de Carlos Ruiz Zafón.

A narrativa ocorre cronologicamente antes do primeiro livro e envolve algumas das suas personagens (secundárias) e localizações, mas é na prática uma história diferente.

O protagonista, David Martín, começa como jornalista e torna-se escritor com a ajuda do seu amigo e mentor Pedro Vidal. Estando a viver na pobreza, é aliciado a trabalhar para dois editores sem escrúpulos, numa colecção de livros policiais que ele não quer escrever e que não pode contratualmente sequer assinar com o seu próprio nome.  A frustração dessa situação e de outras peripécias que lhe vão acontecendo levam-no a aceitar um contrato com um personagem misterioso e sinistro, de seu nome Andreas Corelli, um misterioso editor que lhe oferece uma pequena fortuna para escrever apenas um livro, deixando-o depois livre e rico para escrever o que quiser. Já depois de aceitar tal negócio, David começa a suspeitar do seu patrão e entra numa série de intrigas para descobrir onde se meteu.

O Jogo do Anjo não está ao nível da Sombra do Vento, o que é natural por esse tratar-se de uma obra prima. O livro tem algumas pontas soltas, que não são totalmente explicadas, muita ambiguidade, um fim que pessoalmente não me agradou e bastante mais esoterismo. Ainda assim é marcado pelo estilo de escrita de Zafón, que nos agarra e leva sempre a querer ler só mais um bocadinho. E tem algumas passagens fantásticas que vou colocar aqui no blog em breve.

No final só posso recomendar o livro.

Podem comprá-lo aqui, e em edição livro de bolso aqui.

Biblioteca de Bolso | Podcast

“Uma conversa informal, a três, sobre a relação que estabelecemos com os livros.”

É assim que se auto-descreve o Biblioteca de Bolso, este podcast conduzido por Inês Bernardo e José Mário Silva, e que em casa episódio conta com um convidado diferente.

É uma das minhas fontes preferidas para encontrar novos livros para ler e talvez/provavelmente uma das inspirações para a criação deste blog.

Neste podcast os convidados apresentam 3 livros que são especiais para eles por uma outra razão. Os convidados escolhidos são normalmente com impacto cultural no nosso país, muitos deles escritos. São assim os casos de Alice Vieira, Pedro Mexia, Rui Zink, Gonçalo M. Tavares, entre outros.

E como o Biblioteca de Bolso se apresenta, a conversa decorre sempre com uma naturalidade e informalidade que permite que os livros sejam apresentados não com uma simples sinopse mas antes com as histórias e curiosidades, ou do convidado sobre a sua relação com o livro, ou simplesmente do próprio livro.

Podem ouvir o podcast de borla no Soundcloud, no iTunes ou em qualquer aplicação de podcast que tenham no telemóvel.

 

A História Secreta da Língua Portuguesa | Marco Neves

A História Secreta da Língua Portuguesa, de Marco Neves, é uma aventura através da história (e da pré história) de Portugal que nos dá a conhecer a origem e as transformações da nossa língua portuguesa.

Através de vários contos imaginários, o autor tenta-nos mostrar como seriam as relações interpessoais, a vida e no fundo o contexto em que a nossa língua portuguesa era usada nos vários séculos desde a sua origem, que o Marco situa por volta das invasões romanas à península ibérica, até aos tempos de hoje.

Começando pela origem, a língua portuguesa não começa obviamente no momento em que D. Afonso Henriques se declarou rei. Começa onde então?

Num traço já bem marcado no seu blog, Certas Palavras, Marco Neves vai contra a ideia de quem acha que a nossa língua, para ser bem falada, tem de seguir certas convenções rígidas, e de que quem não o faz está a contribuir para o empobrecimento da mesma. Vai até mais longe e mostra-nos que foram várias as contribuições de sotaques, estrangeirismos e afins que construíram aquilo que hoje é mais convencional na língua portuguesa.

E até os nossos grandes escritores nacionais são usados como exemplo de como o bom português não tem o pedigree (cá vai outro estrangeirismo) que muitos querem fazer crer. Por exemplo, como curiosidade, o livro conta que através de uma análise à sua escrita e de documentos da época feita por historiadores linguísticos, Camões, caso pudéssemos ter a oportunidade de o ouvir, soaria provavelmente uma mistura de nortenho com pronúncia brasileira (vogais abertas).

Um livro sobre a nossa língua, que não se debruça apenas sobre os seus erros, pelo contrário, que a defende, e que enriquece a nossa perspectiva da nossa língua.

Podem comprar o livro online aqui sem pagar portes!

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