Leitura Partilhada

partilha dos melhores livros que vou lendo

Os olhos da Razão protegem-nos das precipitações da Paixão

by desconhecido

Todos os livros, todos os volumes que vês à tua frente, têm alma. A alma de quem os escreveu, a alma daqueles que os leram e viveram e sonharam com eles.

by David Martín, O Jogo do Anjo

O Jogo do Anjo | Carlos Ruiz Zafón

O Jogo do Anjo é o segundo livro da série Cemitério dos Livros Esquecidos, de Carlos Ruiz Zafón.

A narrativa ocorre cronologicamente antes do primeiro livro e envolve algumas das suas personagens (secundárias) e localizações, mas é na prática uma história diferente.

O protagonista, David Martín, começa como jornalista e torna-se escritor com a ajuda do seu amigo e mentor Pedro Vidal. Estando a viver na pobreza, é aliciado a trabalhar para dois editores sem escrúpulos, numa colecção de livros policiais que ele não quer escrever e que não pode contratualmente sequer assinar com o seu próprio nome.  A frustração dessa situação e de outras peripécias que lhe vão acontecendo levam-no a aceitar um contrato com um personagem misterioso e sinistro, de seu nome Andreas Corelli, um misterioso editor que lhe oferece uma pequena fortuna para escrever apenas um livro, deixando-o depois livre e rico para escrever o que quiser. Já depois de aceitar tal negócio, David começa a suspeitar do seu patrão e entra numa série de intrigas para descobrir onde se meteu.

O Jogo do Anjo não está ao nível da Sombra do Vento, o que é natural por esse tratar-se de uma obra prima. O livro tem algumas pontas soltas, que não são totalmente explicadas, muita ambiguidade, um fim que pessoalmente não me agradou e bastante mais esoterismo. Ainda assim é marcado pelo estilo de escrita de Zafón, que nos agarra e leva sempre a querer ler só mais um bocadinho. E tem algumas passagens fantásticas que vou colocar aqui no blog em breve.

No final só posso recomendar o livro.

Podem comprá-lo aqui, e em edição livro de bolso aqui.

Biblioteca de Bolso | Podcast

“Uma conversa informal, a três, sobre a relação que estabelecemos com os livros.”

É assim que se auto-descreve o Biblioteca de Bolso, este podcast conduzido por Inês Bernardo e José Mário Silva, e que em casa episódio conta com um convidado diferente.

É uma das minhas fontes preferidas para encontrar novos livros para ler e talvez/provavelmente uma das inspirações para a criação deste blog.

Neste podcast os convidados apresentam 3 livros que são especiais para eles por uma outra razão. Os convidados escolhidos são normalmente com impacto cultural no nosso país, muitos deles escritos. São assim os casos de Alice Vieira, Pedro Mexia, Rui Zink, Gonçalo M. Tavares, entre outros.

E como o Biblioteca de Bolso se apresenta, a conversa decorre sempre com uma naturalidade e informalidade que permite que os livros sejam apresentados não com uma simples sinopse mas antes com as histórias e curiosidades, ou do convidado sobre a sua relação com o livro, ou simplesmente do próprio livro.

Podem ouvir o podcast de borla no Soundcloud, no iTunes ou em qualquer aplicação de podcast que tenham no telemóvel.

 

A História Secreta da Língua Portuguesa | Marco Neves

A História Secreta da Língua Portuguesa, de Marco Neves, é uma aventura através da história (e da pré história) de Portugal que nos dá a conhecer a origem e as transformações da nossa língua portuguesa.

Através de vários contos imaginários, o autor tenta-nos mostrar como seriam as relações interpessoais, a vida e no fundo o contexto em que a nossa língua portuguesa era usada nos vários séculos desde a sua origem, que o Marco situa por volta das invasões romanas à península ibérica, até aos tempos de hoje.

Começando pela origem, a língua portuguesa não começa obviamente no momento em que D. Afonso Henriques se declarou rei. Começa onde então?

Num traço já bem marcado no seu blog, Certas Palavras, Marco Neves vai contra a ideia de quem acha que a nossa língua, para ser bem falada, tem de seguir certas convenções rígidas, e de que quem não o faz está a contribuir para o empobrecimento da mesma. Vai até mais longe e mostra-nos que foram várias as contribuições de sotaques, estrangeirismos e afins que construíram aquilo que hoje é mais convencional na língua portuguesa.

E até os nossos grandes escritores nacionais são usados como exemplo de como o bom português não tem o pedigree (cá vai outro estrangeirismo) que muitos querem fazer crer. Por exemplo, como curiosidade, o livro conta que através de uma análise à sua escrita e de documentos da época feita por historiadores linguísticos, Camões, caso pudéssemos ter a oportunidade de o ouvir, soaria provavelmente uma mistura de nortenho com pronúncia brasileira (vogais abertas).

Um livro sobre a nossa língua, que não se debruça apenas sobre os seus erros, pelo contrário, que a defende, e que enriquece a nossa perspectiva da nossa língua.

Podem comprar o livro online aqui sem pagar portes!

A Bíblia – que versão ler em português?

Na sequência do livro que apresentei anteriormente (O Zelota) tive curiosidade de (re)ler a Bíblia.

Seja crente ou não, a Bíblia é certamente um dos livros que toda a gente devia ler pelo menos uma vez na vida, quanto mais não seja por ter sido O livro mais determinante na História mundial.

Sendo a Bíblia uma coleção de textos escritos, ao longo dos tempo, por vários autores, são diferentes os livros aceites por cada tradição/grupo/igreja. E mesmo dentro de cada um existem várias versões do texto original, com maior ou menor floreado acrescentado pelos tradutores dos textos originais, consoante a sua própria religiosidade.

Torna-se por isso complicado, principalmente para leigos, saber que versão ler, e quando nos decidimos por uma, por vezes está tão alterada para ir de encontro à crença de quem a traduziu que se torna inacessível para quem está fora dessa crença.

É aí que entra a versão que apresento agora. A partir da Bíblia Grega, ou seja, da Bíblia na sua versão mais completa, contendo o Novo (27 livros) e o Velho (53 livros) Testamento, Frederico Lourenço, um tradutor de Grego Clássico e professor da Faculdade de Letras de Coimbra, apresenta-nos a tradução mais rigorosa, completa e acessível na língua portuguesa. Cheia de notas do tradutor que esclarecem e contextualizam o texto original, torna este magnifico documento acessível a todos.

O volume I, para já o único disponível, que contém o texto dos 4 Evangelhos canônicos do Novo Testamento (Mateus, Marcos, Lucas e João), pode ser comprado na aqui.

 

 

 

 

O Zelota | Reza Aslan

O Zelota | Biografia histórica sobre homem, não o mito, de Jesus de Nazaré

Através de um trabalho de investigação meticuloso que durou 20 anos, é-nos dado a conhecer um Jesus histórico, ao invés do habitual Jesus mitológico, dentro do que nos é possível averiguar com base nos documentos que nos chegaram até hoje e no contexto político e cultural da época.

Sendo evidente que muito do está escrito nos evangelhos está desvirtuado pela crença religiosa de quem os escreveu, e não havendo grandes registos históricos da época (na altura a História não era escrita com o rigor a que estamos habituados a ver empregue actualmente, mas recorrendo mais à hipérbole e ao exagero mitológico), alguns factos básicos sobre Jesus tornam-se confusos: Onde é que realmente nasceu? Belém? Então porque era chamado Jesus Nazareno? Seria mesmo carpinteiro? Teria irmãos? Teria sido casado?

O livro tenta obter respostas para todas estas questões e explica passo a passo o raciocínio que levou a cada uma delas. O autor, Reza Azlan, tem uma escrita bastante acessível e apesar de apresentar várias opiniões polémicas sobre a personalidade e o próprio papel de Jesus, aqui apresentado como um Zelota, fá-lo com uma boa base de sustentação e deixando sempre em aberto a possibilidade de estar errado.

Eu, que apesar de ter a primeira comunhão não tenho qualquer interesse pela religião, sempre tive curiosidade sobre os acontecimentos da época naquela região. Foi uma altura muito importante da história mundial, durante o auge do poder do Império Romano, que dominava também a região da Palestina, e que causou o sentimento de revolta, o querer ser independente, e o acreditar em diversos messias que foram surgindo entre a população local.

Um livro que recomendo a todos os que se interessam sobre História, e que têm mente aberta para conceber um Jesus diferente do que nos é habitualmente apresentado pela religião cristã.

Podem comprar o livro aqui (no momento da publicação está com 30% de desconto) ou o ebook, um pouco mais barato, aqui.

Diante de um caixão, todos vemos só a parte boa ou o que queremos ver.

by Dom Gustavo Barceló, A Sombra do Vento

O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.

by Fermín Romero de Torres, A Sombra do Vento

Pronoia. O que significa?

Pronoia. Uma palavra que aprendi hoje. Sabem o que significa?

É basicamente o estado mental oposto à paranoia, ou seja, ter a sensação de que existe uma conspiração global para nos ajudar.

É um tema bastante explorado no livro O Alquimista, de Paulo Coelho, um livro que nos faz embarcar numa viagem com o protagonista e nos recorda que mais importante que o destino é a viagem que nos enriquece. Uma leitura rápida, poderosa e que nos faz pensar sobre a nossa própria jornada.

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